As Lendas da Marvel – O Demônio na Garrafa

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Tony Stark nem sempre foi Robert Downey Jr. O Homem de Ferro nem sempre foi um herói de primeiro escalão da casa das idéias. Os quadrinhos nem sempre abordaram assuntos sérios. Inclusive, quanto a esse último, à época, final da década de 70, os quadrinhos ainda não abordavam certos assuntos delicados, com raras exceções. Também nessa época o cabeça de lata não era possuia nem de perto a expressão, notoriedade e popularidade da qual goza hoje, com filmes próprios e destaques em arcos dos quadrinhos. Ainda sim era o líder dos Vingadores, possuia sua revista própria e tinha um bocado de problemas para enfrentar nela.

Começando pelo fato de que nessa época Tony estava à beira de perder o controle acionário da Stark Internacional num golpe desferido pela SHIELD, que o mesmo havia ajudado a criar. Imagine o duro golpe ao ferroso.

Mas falando da graphic novel em si, O Demônio na Garrafa na verdade é apenas a última história que o encadernado compõe. Porém, muito acertadamente, a editora optou por publicar as histórias prévias do herói, que o levaram àquele ponto crucial. Nessas histórias temos diversos conflitos e a introdução de um vilão que entraria para a galeria de arqui-inimigos do latinha, Justin Hammer, que se destaca no roll de vilões por ser não ser um maluco fantasiado ou usando uma armadura, mas um industrial, como o próprio Tony, porém maligno e manipulador.

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Na história temos algumas aparições interessantes, como Bethany Cabe, o interesse romantico de Tony da época. O Coronel Rhodes, amigo fiel que sempre ajuda o playboy em suas enrascadas. Temos uma pequena passagem pela mansão dos Vingadores mostrando a formação da época, além de uma aparição importante do Homem-Formiga Scott Lang. Outro personagem de muita importância na história é Jarvis, o eterno mordomo de Stark e dos Vingadores.

Mas indo ao ponto chave da publicação, porque esse arco ficou sendo considerado o mais importante até hoje na história do Homem de Ferro, mesmo com a estética e forma de narrativa ultrapassada do fim da década de 70? Não é segredo nem spoiler dizer que o ponto principal da história é Tony Stark, afundado por problemas, colocando a culpa de tudo no seu alter-ego dourado e vermelhor e descontando tudo na garrafa. Tony vai ao fundo do poço pelo vício em álcool e fica a beira de cometer erros terríveis. Como ele sai da situação, ah você vai ter que ler a história para descobrir. Agora o porque da história ser tão popular é simples. Por mais que seja difícil para o leitor se relacionar com o bilionário em circunstâncias normais, nessa história, Tony é descrito como um ser mais real, sujeito a cair em fraquezas comuns. Quem nunca conheceu um parente, amigo, conhecido com problemas sérios com o álcool? Essa história me surpreendeu é de superação, não pela força, super poderes e etc. Mas mostra um homem vencendo um vício e não sozinho. Eu vivenciei na minha vida, dentro da minha família, o poder destrutivo desse vício e sei o pontencial para o mau assim como a dificuldade de se superá-lo. Além do vício, outro problema de Stark foi culpar terceiros pelos seus problemas, e em decorrência disso ele se entregou ao vício da bebida. Quantas e quantas vezes nós escolhemos culpar outras pessoas, fatores externos, o passado, as circunstâncias pelos nossos problemas e ficamos choramingando ao invés de encará-los de frente. A história mostrou Tony dando a volta por cima justamente quando parou com essa atitude, assumiu a responsabilidade de seus atos e pediu ajuda. Com essa história a Marvel da um ótimo exemplo para seus leitores que ficou eternamente marcado e ajudou a compor o que hoje é o Homem de Ferro.

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Leonardo Agrelos
Se acha um host, mas não sabe houstear. Se acha um podcaster, mas tem a linguá presa. Se acha um nerd, mas nunca terminou de ler O Senhor dos Anéis. Se acha um escritor, mas sempre procura no Google como se escreve impeachment. Entre tantos achismos uma certeza, a de que tem que melhorar como pessoa para parecer menos com um babaca.
http://www.pupilasembrasas.com.br
  • fabiossantos

    Até mesmo Deus é alvo de acusações, quando nos deparamos com as consequências de nossas más escolhas (Gn. 3:12 e 13). É sempre mais cômodo pra mim culpar alguém do que assumir meus erros.

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