Cinegoga#7 – Os Miseráveis: além da letra da lei

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O musical “Os Miseráveis”, narra uma história que se passa na França, em plena época de revolução civil, e temos em Jean Valjean nosso personagem principal. Após cumprir 19 anos de prisão, por ter roubado um pedaço de pão para alimentar sua irmã, Valjean é solto, mas carrega sobre si o estigma de criminoso, encontrando dificuldades para conseguir um emprego e sobreviver. Após receber ajuda de um bispo, Valjean enxerga uma chance de recomeço e desaparece no mundo, deixando assim de se apresentar periodicamente aos oficiais da lei, tornando-se novamente um criminoso procurado.

Muitos anos se passam e reencontramos nosso protagonista como prefeito de uma pequena cidade e dono de uma fábrica de costura. Dessa forma ele ajuda a várias pessoas com emprego e condição de vida, cuidando da cidade com honestidade e justiça. Tudo vai bem até que Javert, o oficial responsável por sua prisão chega à cidade. Ele o reconhece, fazendo com que Valjean tenha que abandonar tudo e viver novamente em fuga. Não vou mais falar da história do filme, pois vale muito a pena ser assistido. Belíssimas músicas e atuação dramática fazem você suar um pouquinho pelos olhos. 

O roteiro da história em si já é uma aula de redenção e amor, uma mensagem muito forte de cristianismo em diversas facetas. Valjean começa a história com amargura e ódio, mas após receber amor de um líder religioso, ele sente a necessidade de ajudar a outros em igual ou pior situação, mesmo que para isso ele tenha que abrir mão de sua própria segurança. Ele chega a repensar isso durante sua fuga pelos anos, se escondendo e vivendo com medo, mas sempre que exigido, ele escolhe o caminho da misericórdia, da bondade e do amor ao próximo, inclusive em relação ao seu perseguidor.

Mas creio que a grande lição do filme não está no protagonista, por mais que o exemplo dele seja grandioso e digno de ser seguido, mas com o antagonista da história, o oficial Javert. Esse homem cresceu como agente da justiça, e não conhece nada além da letra da lei. Ele é cego para qualquer outra possibilidade, fazendo com que as normas de justiça sejam frias e insensíveis. Seu método de aplicação da lei prende o sujeito em sua antiga vida, sem a possibilidade de regeneração e superação. Isso fica evidente em sua busca implacável por Valjean. Por causa de uma tecnicalidade das normas de soltura do preso, ele quer prender Valjean a todo custo, mesmo que isso signifique destruir a vida de dezenas de pessoas que dependem dele.

Jesus veio ensinar que o cumprimento da lei está totalmente atrelado no amor. É impossível obedecer a lei à risca sem amar a Deus e ao próximo. O sacrifício dele na cruz é onde a paz e a justiça se beijam. Mas assim como Javert, muitas vezes nós preferimos aplicar a lei de forma radical, seca, em vez de tentarmos entender o objetivo daquela lei. A verdadeira justiça é aquela que restaura, que reedifica, e não a que simplesmente pune cegamente.

Entender isso é entender o que é Evangelho. É entender porque a lei se resume a amar a Deus acima de todas as coisas e ao próximo como a si mesmo. Ou nas palavras da letra de uma das músicas finais do filme: “Amar outra pessoa é ver a face de Deus!”

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