[CINEMA] A Garota Dinamarquesa

483463O poster do filme está de parabéns. O Eddie Redmayne está tão bem de Lili Elbe que enganou um monte de amigos meus.

A Garota Dinamarquesa (The Danish Girl, EUA/Reino Unido, 2015) é a história da primeira cirurgia de mudança de sexo da história. Conta todo o drama de Einar e Gerda Wegener (Alicia Vikander), um casal de pintores jovem e apaixonado. Ele pintor de paisagens, ela de retratos.

No corre-corre da vida, na busca pelo sucesso profissional, Gerda pede para Einar ser modelo dela por um dia, para que ela dê continuidade a uma obra em que a modelo original está atrasada. Esse momento desperta em Einar uma “primeira personalidade”, desligada desde a infância: a então intitulada Lili Elbe (Elbe como o rio que inspirava as pinturas de Einar).

E digo “primeira personalidade” entre parênteses porque esse é um caso de mudança de gênero que, na época, era motivo de perseguição, prisão, acusação de perversão sexual e muitos outros problemas, levando a espancamento e outras punições (talvez não tenhamos melhorado muito de lá para cá).

O casal fazia parte da classe média e artística da Dinamarca; tiveram que fugir quando Einar procura médicos para se “desfazer” da Lili ao invés de aceitá-la. Afinal, ele recebeu mandados de prisão e ameaças de internação em instituições psiquiátricas. No filme, Einar e Gerda se tornam grandes e íntimas amigas, apesar da história trabalhar com a saudade que Gerda tinha de seu marido, e a falta que o romance heterossexual fazia a ela.

Claro que a história não é real de fato: é baseado nessas duas figuras históricas para o movimento LGBTS, que provavelmente se uniram para disfarçar que ambos tinham orientações sexuais diferentes das aceitas na época. Gerda Wegener é conhecida por pinturas eróticas lésbicas. Ela provavelmente era lésbica ou bissexual. Mas de fato existiu a Lili, que veio do Einar. Ou o Einar que veio da Lili. É provável que a segunda opção é a mais correta, uma vez que ele se via como uma mulher que nasceu no corpo de um homem, e essas eram suas aspirações e ambições: poder ser uma mulher por completo.

 

| Um filme simples, bonito e tocante, mostrando a visão de uma pessoa que não se enxerga no gênero em que nasceu. Isso é muito maior que nossas visões de orientação sexual.

 

Um cisgênero é alguém que se aceita do sexo masculino ou feminino, como nasceu, independente da orientação sexual. O transgênero é quem precisa mudar de sexo para se identificar. Isso é algo grande, uma intervenção ainda muito complicada de se fazer. O exemplo disso é o motivo pelo qual a Lili na vida real morreu – uma infecção provavelmente causada pela rejeição de seu corpo ao útero que lhe foi implantado.

Dei um spoiler bonito ali em cima, sinto muito, mas a história não tem um final feliz. É um filme sobre a jornada, sobre o chegar até ali, sobre a decisão ousada de fazer uma cirurgia de altíssimo risco nunca feita antes.

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Eu particularmente, tenho me tornado fã da Alicia Vikander desde o filme Ex Machina. É uma atriz que atua com os olhos, passa muito sentimento. E apesar de ser um filme “chatinho”, o Eddie Redmayne já tinha arrasado em A Teoria de Tudo, atua muito bem tentando demonstrar sua transição para mulher. Porém, algumas vezes, as mulheres podem se sentir incomodadas com o exagero nos trejeitos femininos. A maioria das mulheres não assim tão delicadas.

É definitivamente um filme oscarizável e eu não sei dar uma nota para ele. Pra mim, permanece a lição de ver que entre o céu e o inferno, as pessoas são muito mais diferentes que a minha e a sua opinião. São tantas histórias!

O final é emocionante, tocante. Vale a pena. Dispa-se dos seus preconceitos e aprenda a ver com carinho aqueles que são tão amados por Deus quanto você.

Aline Toledo
Comentei no site até não me aguentarem mais e me chamarem pra gravar. Escrivinho pautas e textos por aqui. Administradora frustrada, sou fotógrafa nas horas úteis, Bozolina nas horas vagas. Gosto de ajudar, de ser querida, de falar, de rir esquisito, de comer a vontade (pedindo a Deus para não engordar) e me apego fácil. Choro como a Chiquinha, rio como uma hiena. Amo esse projeto e sou grata a Deus por vocês, ouvintes e leitores.
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