Um milkshake pra viagem, por favor! (e porque a coletividade é sempre a melhor saída!)

Se você, de alguma forma, faz parte do mundo nerd e esteve na internet no início desse mês soube o que ocorreu no Twitter quando Heather Antos postou uma foto junto com suas colegas de trabalho, usando a hashtag #FabulousFlo, homenageando Flo Steinberg, uma das grandes responsáveis pelo sucesso da Marvel, que morreu recentemente. Seria mais um post comum de fim de expediente na sexta, não fosse a quantidade absurda de comentários misóginos atribuindo à foto o desempenho abaixo do esperado das novas histórias da editora (o que é absolutamente relativo, claro). Logo em seguida, DC Comics e a editora Archie juntaram-se à Marvel no apoio às meninas e foi bem lindo!

Mas vocês podem me perguntar: o que isso tudo tem a ver com coletividade? Vem comigo que já vou explicar!

Quando eu lia os quadrinhos do X-Men, meu grupo de heróis favoritos da vida, na infância e início da adolescência, não conseguia absorver todas as mensagens e representações que estavam ali, mas me inspirava demais acompanhar aquele grupo tão diverso e com capacidades especiais! Um lia mentes, outro se transformava em uma fera, outra manipulava o clima ao redor. Que incrível! Mas, além de inspirar, também me intrigava que aqueles seres fossem encarados como uma ameaça pelos humanos. Antes separados, aqueles mutantes não sabiam como usar seus poderes, ou como controla-los, e quando finalmente se tornaram um grupo encontraram um propósito em comum. O tempo passou e eu entendi que X-Men era uma história sobre preconceito e segregação. Era sobre o nosso medo e nossa incapacidade de aceitação do novo, do diferente.

Olhando para outras histórias conhecidas nossas, como o novo filme da Mulher-Maravilha, é possível entender essa mesma dinâmica. Uma deusa como a Diana, na teoria, não precisaria de mais ninguém para derrotar seu inimigo, mas foi a capacidade daquele grupo de combinar habilidades que tornou tudo possível. E vemos em outras histórias distintas, como seres de forças ímpares, humanas ou não, se tornam grupos decisivos. É caso de Star Wars, Liga da Justiça e Os Vingadores. Isso acontece por que heróis encontram propósito no coletivo. Por sua vez, a coletividade invoca o melhor da nossa consciência: o nosso senso de igualdade. E quando ignoramos estas mensagens, não nos importamos com o que podemos aprender com elas e a diminuímos a entretenimento puro e vazio, tornamos episódios  como o milkshake da Marvel, tão absurdo, cada vez mais possíveis!

Então, esse é um convite para pensar menos no EU, e mais, muito mais no NÓS! Em como NÓS leitores e consumidores de cultura em geral podemos ser melhores. É uma viagem incrível! Vocês aceitam?

Até a próxima! 😉

Vanessa Vieira
Vários nadas habituais de uma social media cristã nerd feminista com muita vontade de fazer diferente de todo mundo até ficar igual.
http://pupilasembrasas.com.br/
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