Os Ventos de Mudança: Oscar 2018

2014: 12 Anos de Escravidão leva o Oscar de Melhor Filme, Lupita Nyong’o  de Melhor Atriz Coadjuvante e todos ficamos emocionados com esse momento histórico para nenhum cinéfilo pôr defeito. Mas quem poderia esperar que as próximas duas edições da premiação seriam marcadas mais uma vez pelo retrocesso? Público e classe artística se manifestaram exigindo mudanças e ações que trouxessem mais diversidade, iniciando um boicote que originou o #OscarSoWhite, que foi para além da problemática racial, abrangendo representação feminina, LGBT e minorias étnicas.

Em 2017, várias alterações nas regras, novos membros votantes e debates sobre os critérios de escolha dos indicados levaram Moonlight, primeiro filme com temática LGBT plus negra, a vencer o prêmio de Melhor Filme. Mas ainda sobrou muita dúvida e desconfiança sobre os resultados dessa mudança. A premiação de 2017 seria apenas um bom serviço ou medidas realmente eficazes têm sido tomadas para manutenção da igualdade?

Passou quase um século de premiação para que ventos de mudança chegassem até nosso tempo e a 90ª edição do Oscar pode, finalmente, ser considerada a primeira com representatividade real e consistente, não apenas em aspectos sociais, mas de gênero também.

Para começar, nosso querido e amado Logan foi indicado a Melhor Roteiro Adaptado! Isso mesmo: pela primeira vez, um filme sobre herói (e não de herói, como disse aqui nesse Defender em 3 lá no canal do Pupilas), adaptado de uma HQ foi indicado a uma categoria não técnica. É um marco para qualquer fã de quadrinhos e mostra alguma evolução dessas histórias, que vão sim além de explosão e fantasias, como sempre falamos aqui em nossos textos e nos podcasts!

Neste ano também teremos o primeiro negro indicado a TRÊS CATEGORIAS PRINCIPAIS (SIM, ESTOU GRITANDO DE EMOÇÃO!), com Jordan Peele, diretor de Corra!, indicado para Melhor Direção, Melhor Roteiro Original e Melhor Filme. Jordan também se torna o quinto negro a ser indicado a Melhor Diretor na história do Oscar! E, pela primeira vez, uma mulher negra empata em quantidade de indicações com outra negra: Octavia Spencer e Viola Davis (Rainhas <3).

Ainda, por seu trabalho em Mudbound – Lágrimas sobre o Mississipi, Rachel Morrison se torna a primeira mulher a ser indicada a Melhor Fotografia em 90 anos de premiação. NOVENTA ANOS! (ESTOU GRITANDO NOVAMENTE!). Acompanhando Rachel, Greta Gerwig é apenas a quinta mulher a ser indicada a Melhor Direção, por Lady Bird. A última indicada foi Kathryn Bigelow, por Guerra ao Terror, HÁ QUASE DEZ ANOS! (CONTINUO GRITANDO.)

Sabemos que a premiação é apenas o fim do processo e que a problemática antecede as indicações, mas ver que a Academia como instituição decisiva na manutenção do status quo da indústria não está mais inerte, apenas esperando as transformações sociais externas, pelo contrário, está assumindo a linha de frente, atuando como agente dessas transformações é uma grande inspiração.

Todos somos agentes de transformação, independente do ambiente que estamos, das funções que assumimos na vida e dos níveis em que podemos agir. Sendo assim, que tal também tomarmos consciência desse papel e começarmos a pensar em como atuar decisivamente no ambiente ao nosso redor? Pode ser já!

 

Até a próxima, amigos! 😉

  • Jefferson Silva

    Ótimo texto. Essa visão sobre a importância de ser representado em lugares que tem visibilidade é algo muito importante para sociedade. Por exemplo, na minha adolescência eu era muito inseguro, pois as meninas da minha idade queria homens semelhantes ao colírios da capricho ou galãs da rede globo e não havia nenhum negro lá. Isso aconteceu comigo, mas imagina o quanto isso não influencia no desejo e mente de milhares em uma geração. Logo quando vemos esse tipo de coisa acontecendo é motivo para comemorar.

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