Crítica: Wolverine – Imortal

Quadrinhos são complicados, sejamos sinceros.

As infinitas sagas, milhares de personagens, reboots de tempos em tempos que jogam no lixo anos de história, que começa a ser contada novamente…

Cansa.

 A indústria dos quadrinhos parece que pensa em você somente quando você é uma criança inocente, que se encanta com as cores e a ação em 2D das folhas das HQs, que cresce e se torna um adolescente com dinheiro suficiente para comprar uma ou duas revistas a cada mês e acompanhar a saga dos seus heróis prediletos.
 
Mas você cresce, começa a ter menos tempo disponível para quadrinhos…
Percebe o potencial que os personagens e arcos de história dos mesmos têm, mas não encontra a disposição para acompanhar tudo aquilo de novo.
Você quer histórias concisas, que tenham início, meio e fim.
Descobre as graphic novels, os livros e… os filmes.
E fica feliz quando seus heróis de infância ganham filmes, cheios de cores, efeitos, ação (agora 3D) e é fisgado para esse universo novamente, como quando você era uma criança inocente.
 
Por que estou dizendo tudo isso?
Amigos, Wolverine – Imortal (The Wolverine. EUA, 2013) tinha tudo pra amarrar histórias, introduzir e firmar ótimos personagens e reerguer a moral no cinema de um dos maiores heróis dos quadrinhos.
Mas, infelizmente, não foi dessa vez…
 
A base do roteiro foi a saga japonesa do Carcaju, escrita por Chris Claremont e Frank Miller, nos anos 80, onde Wolverine busca reencontrar o amor junto à Mariko, herdeira do Clã Yashida, parte da Yakusa criminosa.
Como nada na vida, inda mais de um super-herói, é fácil, o pai da dita cuja é Shingen, chefão do Clã, que já tinha arrumado casamento pra ela, com outro bandidão.
Resumo da história. Papo vai, papo vem, Wolverine e Mariko quase casam, ele arruma confusão com meio Japão, rola luta com super-vilões (claro)…
Enfim, o básico de todo quadrinho de super-herói.
 
Como disse, essa história poderia ter sido muito bem trabalhada e colocada num filme de mais de 2 horas de duração.
E de certo modo, até foi.
O problema começa quando a essência do personagem (no caso, o próprio Wolverine) é mudada (ou melhor, não é reajustada, já que essa essência vem sendo construída a 4 filmes…), personagens são mudados e encaixados em tramas sem pé nem cabeça.
 
Não vá esperando ver um filme de ação, pois não é.
Por mais que o Wolverine que vemos em tela pareça mais um Jason Statham com garras, e não um semi-animal, semi-homem, semi-mutante como o Wolverine realmente é, o filme tem um ritmo lento, confuso, com um vilão mais confuso ainda, sem propósitos dignos de aceitação e um final desnecessário e feito às pressas.
 
Por mais que o X-Men Origens: Wolverine tenha sido vergonhoso, seu final nos leva até o Japão, mas Wolverine – Imortal se passa tempos depois do final de X Men 3, o que nos confunde, já que X-Men Origens: Wolverine, se passa anos antes do primeiro filme dos X-Men. Essas coisas acabam por desgastar a experiência do espectador frente a uma história com personagens tão cativantes e ricos, que poderiam render ótimos roteiros e filmes, como foi o caso de X-Men Primeira Classe.
 
O filme não é de todo ruim, já que a cena pós-créditos nos leva diretamente para o que será a base da trama de X-Men – Dias de Um Futuro Esquecido, que promete ser tudo aquilo (e muito mais) que foi X-Men Primeira Classe.
 
Infelizmente, não foi dessa vez que Wolverine ganhou o filme que seu nome merece.
E depois desse, sinceramente, nem precisam tentar mais.
Opinião:
Poderia ser grande épico. Foi mais do mesmo.
O que é triste, quando o “mesmo” é medíocre.
Vá sem muitas expectativas e fuja do 3D. Ou melhor: espere e veja em casa.
Rocha
Já assistiu e leu de tudo. Mas tem uma séria incapacidade em fazer contas de cabeça.
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