Cinegoga#5 – Ensaio sobre a Cegueira: ver sem enxergar Uncategorized by Leonardo Agrelos - 14/01/201609/03/20160 http://media.blubrry.com/pupilasembrasas/media.blubrry.com/cinegoga/p/cinegoga.com.br/audios/Cinegoga_0005_ensaio_sobre_a_cegueira.mp3Podcast: Play in new window | DownloadSubscribe: Pandora | Deezer | RSS | More Com direção do brasileiro Fernando Meirelles, o filme Ensaio sobre Cegueira, baseado no livro de mesmo nome de José Saramago, conta a história de uma epidemia que deixa as pessoas cegas, enxergando apenas uma superfície branca. Ela se manifesta em um homem no trânsito e logo depois se alastra pelo país. Aos poucos, quase todos acabam cegos e colocados em quarentena. A trama então segue a mulher de um médico, que diferente do restante da população, não ficou cega. O foco do filme não é a causa ou cura da doença, mas a luta pela sobrevivência e a volta aos instintos básicos de uma sociedade que perde tudo o que considera civilizado. O filme apresenta cenas bem fortes, onde os traços que nos tornam humanos são quase apagados, e todos começam a agir feito animais. As pessoas na quarentena se encontram em uma situação deplorável, sem cuidados básicos de saúde, sem saneamento, e precisando brigar grotescamente pela pouca comida distribuída. Cada um esquece de ser civilizado, e buscam suprir apenas suas necessidades individuais, sem se preocupar com a sobrevivência coletiva. Essa é uma leitura muito triste da realidade, pois em nossa sociedade moderna, quantas vezes não nos separamos das necessidades encontradas ao nosso redor. Na busca por satisfazer nossas individualidades, nossos caprichos e luxos, pensando em nós mesmos, nos tornamos cegos para a realidade que se encontra lá fora, no outro. Por outro lado, enxergamos as pessoas apenas pelo que elas podem proporcionar para nós, e o bem que nos podem fazer, sem de fato enxergá-las pelo que realmente são, pessoas. E após tanto sofrimento e dor durante o filme, quando tudo o que é luxo é derrubado, as pessoas acabam achando uma harmonia na sobrevivência, e se encontram conversando, interagindo uns com os outros como iguais, pois não podem mais ver as barreiras preconceituosas de classe, condição financeira, cor ou raça. No filme, a mulher que enxerga se torna tão inerte quanto os que estão cegos. Ela não reage ao sofrimento que ocorre, buscando apenas a preservação de si mesma e do marido, tornando-se também cega para o que os outros precisam. É só mais para o fim que ela realmente sai da inatividade e auxilia o próximo. A sociedade hoje em geral, está condicionada a uma cegueira muito parecida. Ao presenciarmos tanta miséria, tanta falta de ajuste no mundo, perdemos nossa sensibilidade, e passamos a enxergar apenas o que queremos ver. O filme nos chama para enxergar além dessa cegueira. De reavaliar o que realmente importa e resignificar aquilo que chamamos de civilidade. É possível que ao escolhermos somente o que nos convém, e virarmos o rosto para a necessidade alheia, buscando apenas o material e individual, nos tornemos tão cegos e animalescos quanto as pessoas do filme. A maior lição que podemos tirar desse filme ou livro é: ser cego não significa apenas a falta de visão. Muitas vezes, pode significar não enxergar tão profundamente. Related PostsCinegoga#6 – O Guia do Mochileiro das Galáxias: saber perguntarCinegoga#14 – Demolidor: faça-se justiçaA Vida Secreta de Walter MittXadrez para TodosCapcom anuncia remake de Resident Evil 2Cinco maiores bilheterias da Disney Animation Share on Facebook Share Share on TwitterTweet Share on Pinterest Share Print Print