Crítica: Need for Speed [2014]

Filmes adaptados de videogames são ruins. Péssimos. Talvez seja pelo fato que de a estrutura linear de um roteiro de videogame seja completamente diferente de um roteiro de cinema. Talvez seja porquê filmes são filmes, videogames são videogames. Livros e quadrinhos guardam diversas semelhantes estruturais com filmes. Cinema e videogames, de iguais, só possuem as imagens, o visual.

Será? Será mesmo que a maioria das adaptações de videogames são ruins por causa disso? Não. Esquece o que eu falei. Não é nada tão elaborado assim. Nem tão complicado. Até porque, se fosse como eu disse aí em cima, não existiriam boas transposições de videogames para o cinema. Não existira Need for Speed (Need for Speed. EUA, 2014).

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O Pupilas de 2ª #10 falou sobre a onda de mimimi que a Internet vem sofrendo. Sempre houve mimimi. E sempre vai existir. Mas há uma tendência atualmente de querer que qualquer filme, seja blockbuster ou não, seja adaptação de quadrinhos, livros e videogames, ou não, seja o que for, o filme precisa ser um épico. Precisa ser um clássico instantâneo. O fator DIVERSÃO, pura e simples, desapareceu. Todo mundo, com acesso à Internet e acesso a um local onde possa colocar o que pensa, começa a assistir um filme já pensando no que vai falar (de mal, claro) do filme. Se é uma adaptação (de videogame, ainda por cima), a crítica (negativa) já está praticamente pronta, antes mesmo do filme iniciar. Não se admite mais falar bem de um filme. QUE É ISSO, MINHA GENTE?

Need for Speed conseguiu ADAPTAR de maneira simples e eficiente o jogo para o cinema. Está tudo lá: carrões com velocidades absurdas; muscle cars correndo como o vento; a polícia incansável, perseguindo sempre; belas paisagens sendo cortadas por carros velozes, com a polícia na cola. Como eu disse, está tudo lá.

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Sabe o que está lá também? Belíssimas homenagens do diretor Scott Waugh  (experiente coordenador de dublês em filmes famosos desde O Último dos Moicanos e Velocidade Máxima, até Triplo X, Homem-Aranha e Sr. e Sra. Smith) a filmes clássicos onde carros são os personagens principais como Bullitt e Gone in 60 Seconds (o original e a refilmagem) e Corrida Contra o Destino (filme, aliás, que claramente inspirou o roteiro do filme de Need for Speed). É legal de ver que o filme funciona exatamente por essas homenagens e inspirações. Se você quer fazer um filme de carros e corridas, por que não se inspirar no que outros já fizeram, e fizeram bem feito, no passado? Não é cópia, não é plágio. É inspiração. É homenagear os mestres daquela área. E isso, em qualquer arte, é essencial.

Não vou falar sobre história ou atuações.154620 Chega disso. Vá assistir e divirta-se. A história é legal e as atuações estão na medida para filmes despretensiosos como Need for Speed. AH! Claro, tem Michael Keaton, o que já torna o filme um clássico. 🙂

Resumindo: é um filme que captou toda a essência do videogame e colocou numa história simples e que diverte. A estética do filme funciona e o fato do diretor aplicar MUITOS efeitos práticos (sem uso de computação gráfica), como carros voando, capotando, se destruindo, pelo fato de ter larga experiência em coordenação de dublês, torna o filme muito mais visual, muito mais cru e isso, atualmente, chega a ser decisivo na avaliação final de um filme.

Deixa de frescura e volte a ter a cabeça que você tinha aos 10 anos de idade. Por que, afinal de contas, de vez em quando, um filme não quer ser um clássico eterno. Ele só quer te divertir. Obrigado, Need for Speed, por ter me divertido.

OPINIÃO DO PUPILAS EM BRASAS:

Uma das melhores adaptações de videogame já feitas (adaptar aqui entenda-se como captar a essência do videogame e transpor isso para a linguagem cinematográfica).

Divertido do início ao fim.

Belíssimas cenas de perseguição, feitas com pouca computação gráfica e muitos efeitos práticos.

Homenagens a filmes clássicos com a temática CARROS, como Corrida Contra o Destino, Bullitt e Gone in 60 Seconds.

Rocha
Já assistiu e leu de tudo. Mas tem uma séria incapacidade em fazer contas de cabeça.
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