Cinegoga#1 – Wall-E: Virtualidade Real

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Imagine um planeta terra pós-apocalíptico, impregnado por lixo suficiente para torná-lo inabitável. Esse é o cenário apresentado no longa de animação Wall-E. Premiado com o Oscar de melhor animação em 2009, o filme é uma mistura da mais atual ficção científica, com a comédia física de clássicos como Tempos Modernos de Charles Chaplin.

A história se passa 700 anos no futuro, onde encontramos a terra devastada pelo acumulo de lixo. A humanidade embarcou em um cruzeiro espacial que deveria durar 5 anos, enquanto unidades robóticas chamadas Wall-E’s, removeriam o lixo e tornariam a Terra habitável novamente. Só que o cruzeiro acaba se estendendo por mais 700 anos. A humanidade se torna obesa, consumista, e as unidades robóticas se estragam sobrando apenas o protagonista do filme, o pequeno robô Wall-E. Ele continua obstinado em sua rotina de limpeza, até que um dia, EVA, uma sonda robótica em busca de sinais de vida, interrompe o protocolo de Wall-E, criando espaço para que o resto do filme se desenvolva.

Por acaso você já notou que nosso dia a dia, principalmente nas cidades, é repleto de barulhos, e que quanto mais sons são emitidos, menos se ouve? E por mais que esses ruídos nos incomodem a princípio, acabamos nos acostumando com eles. Diante desta realidade, ao assistirmos o filme, a ausência de diálogos pode causar certa estranheza, mas é possível perceber que o que mais ocorre na história são diálogos sem palavras. Esse incômodo pode ocorrer porque estamos acostumados a uma fórmula cinematográfica padrão. E é justamente aqui que destacamos a nossa primeira lição. Wall-E nos convida a olhar além do comum, enxergar nas entrelinhas uma realidade que às vezes deixamos passar por causa do excesso de ruído que presenciamos.

Outra lição que vale a pena ressaltar, está relacionada com a importância dos relacionamentos humanos. As cenas mostram Wall-E e EVA passeando de mãos dadas e olhando nos olhos um do outro. Já os seres humanos, só conversam por telas de computadores e parecem não fazer ideia da presença física dos outros. Isso tudo acaba sendo irônico, pois vemos robôs se portando como gente, e gente se comportando como meras máquinas.

O que levanta a pergunta: em nossa vida cercada de redes sociais, máquinas e facilitadores de rotina, qual foi a última vez que você olhou nos olhos de alguém e se relacionou de forma genuinamente humana? Com afeto, com toque, com sentimento?

A terceira lição digna de menção, é que precisamos aprender a enxergar nos filmes, livros, músicas e outros produtos artísticos, mais do que algo para entreter ou passar o tempo. É claro que eles foram feitos para isso, mas se olharmos atentamente, todos possuem lições e filosofias morais para nos passar. Cabe a nós descobrirmos se elas são compatíveis com nossas crenças, ou não.

Cinegoga

Leonardo Agrelos
Se acha um host, mas não sabe houstear. Se acha um podcaster, mas tem a linguá presa. Se acha um nerd, mas nunca terminou de ler O Senhor dos Anéis. Se acha um escritor, mas sempre procura no Google como se escreve impeachment. Entre tantos achismos uma certeza, a de que tem que melhorar como pessoa para parecer menos com um babaca.
http://pupilasembrasas.com.br
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