Entre o certo e o errado há 50 tons de cinza – parte 4

Ninfomaníaca Volumes I e II

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Cresci num mundo em que TV paga, quando chegou era coisa de milionário. Então só tinha a TV aberta mesmo.

A apresentadora do programa infantil usava micro roupas, junto com suas ajudantes de palco e dançavam sensualmente (não era um só, tinha vários), humor negro e exploração do sexo eram banalidades, mulher de biquini atochado onde não devia era rotina. Tinha coisas como homens e mulheres lutando por pegar sabonetes na banheira e concursos de camisa molhada.

Parei por aqui porque a lista de abusos é enorme!

 

E ainda assim, depois desse rosário de banalização do sexo, devo acrescentar que esse filme me chocou horrores!

Não o vejo como um filme a ser debatido qualidade cinematográfica. Ele me soa mais como um documentário de algo que é real e acontece com diversas pessoas nesse mundão afora. E nem vou entrar em aspectos técnicos aqui porque não é o foco do nosso site. Aqui focamos em opiniões – embasadas ou não 😉

Além de que é filme europeu, não é do nosso gosto desrefinado por Transformers e Jogos Mortais.

Não existe um trauma que explique o comportamento dela, apesar dela detestar a mãe, o pai dela foi um homem amoroso e presente.
Não existe um trauma que explique o comportamento dela, apesar dela detestar a mãe, o pai dela foi um homem amoroso e presente.

Uma coisa eu peço, sigam o conselho que o Nito Xavier me deu e eu não segui: não assistam.

Muita nudez, os atores fazem sexo de verdade uns com os outros. E o sexo é frio. Não é sensual, e na minha humilde opinião fecal, se você se sentir estimulado e excitado assistindo a esse filme, você precisa de tratamento psicológico.

 

Na maior parte do tempo, o sexo é tratado como uma necessidade fisiológica desenfreada, afinal, partia de uma mulher doente. Ela mesma assume que não é normal, e que seus abusos tiveram um preço.

A perda de sua virgindade foi precoce, imatura e não retrata a forma ideal de esse momento ter acontecido. Depois a sua caça por homens como conquista, os 8 a 10 homens que ela recebia em sua casa por noite, o casamento mal sucedido, o filho abandonado, o aborto feito por conta própria, as feridas na vagina, a solidão, o abuso físico, mental, emocional e sexual a que ela se expôs direta e indireatamente… Nada disso é bonito ou trás uma reflexão 100% saudável.

Se não for a “trabalho” como foi o meu caso, não se dêem a esse desprazer.

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O que esse filme tem de vantagem para mim é poder falar com propriedade de algo que é uma constatação da minoria: O sexo é algo pessoal, íntimo, sério, e altamente marcante.

Você pode até se esquecer do nome da pessoa com quem você fez sexo, mas tudo isso deixa marcas em você.

Filhos indesejados, doenças sexualmente transmissíveis, no caso da Joe, protagonista do filme: mutilação, humilhação, lares destruídos, confusão de sentimentos e emoções, e estou falando só dos assuntos tratados no filme. Essas coisas acontecem de verdade com pessoas doentes, mas como são uma parcela pequena da população, não nos damos nem ao trabalho de nos preocupar. Julgamos essas pessoas e as afastamos.

Uma Thurman dando show de atuação como uma esposa abandonada.
Uma Thurman dando show de atuação como uma esposa abandonada.

Tem gente que nem é doente e se expõe a coisas como essa por livre e espontânea vontade porque acham a libertinagem um símbolo de esclarecimento e liberdade.

 

Não, não é! Não sou das mais puritanas, sou cristã, mas não penso que impor meu estilo de vida seja a solução para as agruras da vida, só que tudo tem limite, e quando você o ultrapassa, você passa por experiências miseráveis como as que a Joe e as pessoas que conviveram com ela experimentaram!

 

Sexo é coisa séria! Seja você cristão ou não. Seja você virgem ainda ou não. Se você está seguindo por um caminho errado, volte atrás! Sempre há tempo.

 

O filme também trás outros assuntos filosóficos muito interessantes. Deveriam fazer uma compilação apenas com diálogos. Queira Deus isso aconteça.

Hoje o assunto foi bem mais sério, pelo menos pra mim. Ainda não esgotei o assunto desse filme aqui porque dá muito pano pra manga.

Quero apenas deixar claro que as opiniões aqui são minhas. Não são leis e nem são imutáveis. Pode trazer a sua que a gente conversa.

Até logo.

 

Aline Toledo
Comentei no site até não me aguentarem mais e me chamarem pra gravar. Escrivinho pautas e textos por aqui. Administradora frustrada, sou fotógrafa nas horas úteis, Bozolina nas horas vagas. Gosto de ajudar, de ser querida, de falar, de rir esquisito, de comer a vontade (pedindo a Deus para não engordar) e me apego fácil. Choro como a Chiquinha, rio como uma hiena. Amo esse projeto e sou grata a Deus por vocês, ouvintes e leitores.
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