Crítica: Clube de Compras Dallas

hr_Dallas_Buyers_Club_10Filmes que demandam transformações físicas de seus protagonistas, geralmente extraem grandes atuações e quase sempre são lembrados pela Academia e outras premiações mundo afora. Normalmente esses filmes apresentam histórias contundentes e celebram o espírito humano e suas relações, acabando por se tornar grandes filmes, independente dos prêmios que recebe. Clube de Compras Dallas (Dallas Buyers Club. EUA, 2013) tem praticamente todos esses ingredientes apresentados para entrar nesse hall de grandes filmes, com grandes atuações. Mas por pouco deixa de chegar lá.

A história se passa no início da década de 80, num mundo onde a AIDS estava completamente associada à homossexualidade. Nesse cenário se desenrola a história real de Ron Woodroof (Matthew McConaughey), um caubói texano heterossexual, que não quer acreditar e nem aceitar que contraiu AIDS através do sexo desprotegido e de drogas injetáveis. Passa a ser discriminado em seu meio, repleto de estereótipos machistas, o que o leva a buscar ajuda em meio a outros portadores da doença. É quando encontra o travesti Rayon (Jared Leto praticamente irreconhecível) e busca um tipo de luta pela vida, depois de receber a notícia de que tinha menos de 30 dias de vida.

Ron e Rayon passam a buscar tratamentos alternativos, com remédios não liberados pela FDA, órgão do governo americano que testa e libera para venda medicamentos em geral, já que o remédio AZT, liberado pela FDA para soropositivos, começa a trazer danos gigantescos aos doentes. Assim, Ron começa a trazer remédios mais eficazes e saudáveis do México e cria, com Rayon, o Clube de Compras Dallas, onde outros soropositivos podem ter acessos a esses remédios, depois de pagarem U$400 para se juntar ao Clube. Com isso posto, o filme passa a ser uma lenga-lenga de soropositivos contra o governo dos EUA, que veem uma fonte de lucro ser aos poucos destruída por doentes terminais que, além de estarem prolongando a vida de outros soropositivos, estão conseguindo dinheiro de maneira ilegal, coisa que somente competia ao governo americano.

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O drama pessoal e as relações entre os soropositivos acaba sendo deixada de lado para dar lugar a uma crítica leve e simplória. O filme deixa de ser atrativo tanto na narrativa quanto em quesitos técnicos como, por exemplo, uma edição mais dinâmica, que deixaria o filme mais atrativo. As atuações acabam sendo um dos únicos fatores a se levar em conta e acabam valendo por todo o resto.

Apesar de ser um filme com um tema tão atual, afinal a AIDS ainda é um tabu e merece ser amplamente discutida, tanto em termos de tratamento como prevenção, pois muitos ainda acreditam que somente homossexuais podem contraí-la, é um filme que deixa, por muito pouco, de chegar ao nível de grandes filmes sobre AIDS, como A Cura, Kids e Filadélfia.

Opinião:

Atuações excelentes, que fazem valer o filme.
Apesar de tratar sobre AIDS, homossexualidade e excluídos sociais, o filme não busca se prevalecer com cenas que buscam somente chocar ou agredir (mas contém ressalvas com algumas cenas mais explícitas).
É válido pois traz para discussão a AIDS, que ainda é um mal assolador, e o teste e comércio de medicamentos, visando somente o lucro do governo e da indústria farmacêutica, ficando a saúde e bem-estar dos pacientes em segundo-plano.

Rocha
Já assistiu e leu de tudo. Mas tem uma séria incapacidade em fazer contas de cabeça.
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