Entre o Certo e o errado há 50 tons de cinza – Parte 2

Feminismo X Machismo: Ready, Go, Fight!

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Sou pacífica porque não sei brigar. Quando recebemos algum troll ou hater do Pupilas fico desconcertada. Confesso isso para que vocês peguem leve comigo!

Vou falar de algo que dá briga: os direitos e deveres das mulheres e o feminismo sob a perspectiva do cinema.

Na cerimônia desse último Oscar, Patricia Arquete, vencedora do Oscar de melhor atriz coadjuvante, disse o seguinte quando subiu para pegar sua estatueta: “A cada mulher que deu à luz cada cidadão e contribuinte desta nação, nós lutamos para os direitos iguais de todos. É hora de haver igualdade salarial de uma vez por todas para todas as mulheres nos Estados Unidos da América.”

Acho digno! Foi ovacionada, Meryl Streep ficou em pé enquanto dava vivas à coragem de Patricia de abordar algo tão sério e negligenciado.

Há coisas que não se pode negar: as mulheres têm estado entre as que têm maior grau de escolarização entre os trabalhadores. Das mulheres têm saído as atuais líderes das empresas do país, superando também nisso as estatísticas masculinas.

E que vestido glorioso!
E que vestido glorioso!

A luta por igualdade de salários e oportunidades é crucial.

E dentro de correntes feministas vemos também opiniões mais exaltadas dizendo que as mulheres devem ter condições iguais às dos homens em todos os sentidos.

Meu posicionamento é: isso não é possível. A maior parte das mulheres não pensam, sentem, reagem, falam ou gostam de coisas de homem ou como um homem.

Os motivos são variados: desconhecimento, cultura, criação, formação acadêmica, preferências e sim, hormônios.

Não quero ser como um homem, nem ser maior que um homem, muito menos me sentir inferiorizada. Para a maior parte das mulheres, a luta é pelo fim das comparações e limitações.

Os direitos sociais e constitucionais devem existir, mas a igualidade não deve significar extermínio da unidade e do caráter. E eu sei que essa não é a luta da maioria das feministas.

Por que um homem ganha mais do que uma mulher exercendo a mesma função?

E olha que muita coisa mudou hoje em dia. Muitos direitos que antes nos eram privados como votar, estudar e trabalhar já caíram por terra.

Hoje os problemas habitam muito mais em sutilezas como salários, promoções, funções, e até mesmo na hora do parto, com lendas e limitações às capacidades do corpo feminino que Deus nos deu.

E dalhe Cate Blanchett também no Oscar 2015
E dá-lhe Cate Blanchett no SAG Awards

Vamos abordar o assunto que me trouxe aqui: Cinema e mulheres.

Durante décadas a fio as mulheres vêm sendo retratadas das mais diferentes formas nas mídias – propagandas, revistas, cinema, livros, TV, videogames, etc…

Sempre, sempre a mulher gira em torno de desejo, sexo, obsessão, família etc.

Obviamente a esposa no seu geral é retratada como a mulher desinteressante e entediante (não me venham com excessões), enquanto “a outra” pode até parecer interessante, mas na sua maioria é um objeto de desejo e conquista.

Nesse ínterim, o universo masculino e suas lutas são apresentados e travados ao redor de suas mulheres, ou com elas cercando tudo.

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Recentemente o cinema vem mostrando o contrário, principalmente para as crianças. Princesas que não querem bons casamentos, mas o amor verdadeiro (Valente); princesas que não precisam de um príncipe para salvá-las (Frozen); e no universo adulto, uma ex-prostituta escreve uma obra que retrata a vida de uma adolescente antes e depois de uma gravidez não planejada – e sem juízo de valores (Juno).

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Ponto para a mulherada!

Há uma grande porção de outras obras que tratam a mulher com respeito e como um ser pensante independente dos homens da sua vida – não significando que elas os desprezam ou são oprimidas por eles, apenas trata de relações de parceria e dignidade. Só não citarei mais porque não tenho memória ~wikipediana~.

Não importa se você é tímida ou extrovertida, romântica ou desligada, delicada ou estabanada, forte ou sensível. A questão é o direito de ser quem é independente da imposição alheia e fazer escolhas conscientes com suas limitações.

Os anos de opressão foram tantos que até as formas que Deus ofereceu para nos proteger das injustiças masculinas (daqueles poucos) são vistas hoje como machismo.

Eu posso ser esposa, dona de casa, fiel, mãe, e ainda assim ter uma relação de parceria com meu marido. Mesmo “submissa” (o sentido bíblico da palavra se perdeu) não sou menor, sou parceira do meu marido. Ele também me ajuda na casa, é fiel a mim, será pai dos meus filhos, é tão casado comigo quanto eu sou com ele! E não fazemos nada essencial sem pedir o aconselhamento um do outro!

Não deveria ser uma guerra, mas uma escola de conscientização e aceitação.

O que nos difere deve nos unir. Como diria a escritora americana Ellen G. White: “Eva foi feita de uma costela tirada do lado de Adão, significando que ela não o deveria dominar, como a cabeça, nem ser pisada sob seus pés como se fosse inferior, mas estar a seu lado como sua igual, e ser amada e protegida por ele. Como parte do homem, osso de seus ossos, e carne de sua carne, era ela o seu segundo eu, mostrando isto a íntima união e apego afetivo que deveria existir nesta relação” (O Lar Adventista, p. 25).

Isso serve para pais, irmão, parentela, colegas de trabalho, chefes, namorados, noivos e esposos!

Esse texto é preparatório para os próximos, onde vamos debater assuntos ainda mais controversos.

Vamos falar muito de sexo, sexismo, sexualidade e cinema por aqui nas próximas semanas.

O que está acima é minha opinião – Aline Dias de Andrade Toledo – E me responsabilizo por elas. É como vejo o mundo por enquanto e posso mudar sempre que houver algo novo que faça sentido.

Mais uma vez, incentivo: deixe sua opinião nos comentários.

Escreva abaixo algum filme “poder feminino” que você tenha visto recentemente.

Vai ser um ótimo conversar e aprender com vocês.

Aproveitem esse vídeo do cientista Neil DeGrasse Tyson. Esclarecedor:

 

 

Aline Toledo
Comentei no site até não me aguentarem mais e me chamarem pra gravar. Escrivinho pautas e textos por aqui. Administradora frustrada, sou fotógrafa nas horas úteis, Bozolina nas horas vagas. Gosto de ajudar, de ser querida, de falar, de rir esquisito, de comer a vontade (pedindo a Deus para não engordar) e me apego fácil. Choro como a Chiquinha, rio como uma hiena. Amo esse projeto e sou grata a Deus por vocês, ouvintes e leitores.
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