A Menina Que Não Sabia Ler

“Foi em abril, em me lembro, embora em meu espírito fosse dezembro,
Que um pássaro ferido foi retirado da escuridão do lago,
As penas brancas brilharam ao sol, e de sua boca escorreu a água negra,
Enquanto por dentro minha voz gritava até pensar que meu coração iria se partir;
Fui eu quem assistiu à sua morte, seguindo à deriva, à deriva, esperando em sua vigília
Que Deus levasse sua alma.”

30 No momento em que escrevo isso, fazem exatos 10 minutos que acabei a leitura desse livro. E tenho que dizer que ele é perturbador.

A Menina que não sabia ler, de John Harding, com 282 páginas e lançado no Brasil pela Editora LeYa foi um daqueles livros sobre o qual eu não sabia nada, não tinha intenção de ler (e, por sinal, nem sei como ele chegou aqui em casa) mas que revelou-se uma grata surpresa. Comecei a ler esse livro há uns 15 dias, em meu horário de almoço, quando me sobram uns 15 minutos de tempo para leitura, e ele se tornou prioridade. A história me pegou de jeito.

O ano é 1891. O lugar é a Nova Inglaterra. A personagem principal é Florence, uma menina de 12 que mora na casa do tio (que ela nunca vê) com seu irmão Giles e os empregados. A história é narrada do ponto de vista de Florence, e começa bem, digamos, devagar. Parece ser mais uma historinhas de crianças e o que elas fazem no seu tempo livre, e ainda, questões sobre o ensino/aprendizado por mulheres, mas não é bem assim. Na verdade, o livro que me prometeu um drameco, virou um suspense! E com atmosfera gótica e tudo!

Após algum tempo de leitura, a história começa a enveredar para rumos mais… digamos… sinistros. De começo é difícil saber o que é imaginação (ou loucura, talvez) e o que é realidade, o clima sombrio da casa vazia e a da biblioteca poeirenta auxilia e muito para aos poucos ir tornando as coisas mais sombrias, mas é só quando acontece a primeira morte (que já estava anunciada na primeira página) que a gente percebe que o livro tem outra pegada.

A Menina que não sabia ler foi um livro que me pegou de tal maneira que eu simplesmente não conseguia para de ler. As personagens ganharam vida em minha mente. Flo se tornou uma versão menor da Jennifer Lawrence (ao menos no começo), Giles virou o menininho do “sorvete” (de Contatos Imediatos de Terceiro Grau) mais crescidinho, a governanta virou uma espécie de Alex Borstein de cabelos mais brancos e com uns quilinhos a mais, e a bruxa; sim a bruxa, senhoras e senhores… a bruxa ficou impressa em minha mente com sendo a Rainha má de Once Up On a Time (Lana Parrilla) e o investigador me parece algo como o Vince Gilligan (cara de X-Files e Breaking Bad).

Eu recomendo esse livro que foi uma surpresa para mim, mas te digo, achei ele perturbador, principlamente pelo fato de jamais (eu disse XAMAAAAAIS) esperar aquele desenrolar. Aliás, acho que daria um bom filme de suspense.

Minha nota para essa obra que me desconcertou são 9.5 espelhos quebrados.

Leonardo Agrelos
Se acha um host, mas não sabe houstear. Se acha um podcaster, mas tem a linguá presa. Se acha um nerd, mas nunca terminou de ler O Senhor dos Anéis. Se acha um escritor, mas sempre procura no Google como se escreve impeachment. Entre tantos achismos uma certeza, a de que tem que melhorar como pessoa para parecer menos com um babaca.
http://pupilasembrasas.com.br
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